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De noite, sorridente. Pela manhã, mal-humorada. Eu vivo em Brasília, mas juro que não sei de nada. Sou publicitária, feminista, carioca das Laranjeiras. Seja bem-vindo e muito prazer. Me chamo Camila Bandeira.

Estou em dúvida sobre o título também

Há dias com isso na cabeça, só tomando martelada. E se eu fizer a escolha errada? Concluo que não tem problema algum em não ter certeza de nada. Sabe, a indecisão é uma terceira via. Viável. E muitas vezes inevitável. Afinal, como decidir entre a carreira certa pra vida inteira ou a viagem dos seus sonhos, assim, de primeira? A vontade do proibido ou a inércia do clichê? O certo ou o fácil? “Só depende de você.” Na eleição, posso anular. Se for cartão, posso estornar. Tenho mais de uma opção até pra entrar no vestibular. Então por que a vida me diz que eu preciso decidir? Pressão, ação, superação. Não! Me deixa em paz. Não me importa como é, eu só quero viver mais. E se vier me pressionar, eu vou é impressionar. Faço uni-duni-tê e escolho uma opção que nem existia pra você. Sabe por quê? Fidelidade é uma virtude que eu só devo mesmo a mim. Me diz: é ou não é? Para essa, não tenho dúvidas. A resposta é sempre sim.

Deixa morrer

Já parou para pensar que todo sofrimento está ligado ao perder? Sempre o não ter, não saber ou não ser. É a morte de um parente, a morte de um amor, a morte do amor de um parente. O fim de uma fase da vida nos faz sofrer, o fim de um emprego e o não-nascimento de algo desejado. Porque quando não é o fim, é a ausência de um começo que nos deixa abalados, o que não deixa de ser um “não-acontecer”. E sob essa ótica aí, somos todos meninos mimados, que não aceitam estar fora desse jogo da verdade. Nascemos sozinhos, morremos sozinhos e passamos a vida inteira procurando artifícios para a felicidade, seja em alguém ou alguma coisa. Na dúvida, sofremos. Quando não conseguimos, sofremos. Quando perdemos, sofremos. E algumas vezes, quando temos, sofremos porque o outro não tem… Seja juízo, amor, vontade ou alguém. Mas… Deixar morrer também não faz mal. Precisamos pensar assim. Já diria um velho sábio dos profiles do Orkut: “Dor é inevitável, sofrimento é opcional.” Será? Eu mesma discordo, não me leve a mal. E você aí, achando que ia ser um grande ensinamento ler até o final. Esse texto não tem fim, ele não passa de uma constatação. Até porque, meu bem, seria muita pretensão se eu achasse que mudar isso depende só de mim, não?

Encontrei um gênio na rua

Encontrei um gênio na rua e ele me disse umas coisas. “Faça um mundo à moda sua. Tire, ponha e escolha.”

Tu, vós, eu, ele, eles, nós. Se eu pudesse dar algo a alguém, certamente eu daria voz. Para gritar por necessidade e inverter o papel da saudade.

“O presente é o melhor que nós temos, mas tememos pelo que vem. Mais um passo à beira do abismo e podemos conhecer além.”

Eles, vós, tu, nós, ele, eu. Se eu pudesse tirar algo do mundo, tiraria o mundo do breu. Ascenderia um novo formato, daria luz sem precisar fazer gato.

“Dois já foram, falta um, para fazer o seu mundo ideal. Não pense a terceira vez, escolha o que há de mais genial.”

Eu, tu, ele, nós, vós, elas. Se fosse pra ter só um tipo de gente, encheria o mundo de Rafaelas.

Torcida única

Texto original no site Obvious.

torcida

Racismo às avessas, orgulho machista, heterofobia… Dor de cotovelo. Tudo isso agora existe e o que, por séculos, foi ignorado agora é “gente chata”, “politicamente correto”, “falta de rola”, “falta de porrada”, “frescura”, problematização.
Prometo tentar ser didática se você, que já está odiando esse texto, prometer ler com atenção.
Tenho certeza que a maioria das pessoas que conheço já foi a um estádio de futebol. E vocês sabem o que é estar em maioria e só ouvir o som da sua torcida, linda, em coro, unida. É de arrepiar, eu sei!
Mas o ponto é que quando uma torcida é maioria esmagadora, é difícil escutar o outro lado do estádio, quase impossível. Só que a cada gol do adversário, quando o seu lado se cala por instantes, você passa a ouvir o que vem do outro lado, e um pequeno incômodo nasce no peito, embrulha o estômago, sobe à cabeça. E eu sei como é isso também!
Por quase todos os momentos da minha vida, eu estive na maior torcida. Tivera nascido homem e eu poderia afirmar que foi por todos os momentos mesmo. Sempre tive privilégios, sempre estive ao lado de quem gritava mais alto. E poucas vezes tive que me esgoelar para ser ouvida. Sim, para mim sempre foi fácil.
Pois bem, aonde eu queria chegar é que essa tal “torcida mandante” está, pela primeira vez em toda a sua existência, escutando, beeem ao longe, o grito crescente da torcida vizinha, que parecia muda por séculos. A diferença é que essa disputa envolve muito mais que times de futebol. Envolve nossos valores, nosso futuro e nossa sociedade: diversa, linda, “junto e misturado”, do jeitinho que ela sempre foi.
E muita gente se sente incomodada agora quando se depara com comentários adversos e opiniões que julgue contrárias às suas. Inventaram racismo às avessas, heterofobia e, pasmem, orgulho de ser machista. É como um reforço ainda maior para calar a torcida vizinha quando o grito do outro, em decibéis, não chega nem a um terço do seu. Querem reforçar o que já é maioria, porque enxergam uma ameaça ilusória. E a verdade é que essa analogia entre a nossa atual sociedade e o estádio do futebol está longe (!!!) de ser perfeita por um detalhe muito simples: a “outra” torcida não quer gritar mais alto que ninguém. A outra torcida só quer gritar junto. Sendo assim, é preciso que as minorias façam muito, mas MUITO barulho, até que todos entendam que quando o jogo é cheio de fair play, devemos aplaudir juntos.

Círculos

trem

Quando não souber o que fazer, embarque no primeiro trem. Ou ônibus, sonho, avião… Viagem não faz mal a ninguém. Novas verdades, culturas, lugares. E gente também. Mas uma hora você cansa e só quer um café quente, sua cama e um cafuné. Perdido de novo, se pergunta: E agora, José?
Quando não souber o que fazer, acione a marcha ré. Não faz mal! Volte ao seu canto, recarregue as energias e encha de novo o coração. Não tem nada tão completo como a emoção de um abraço conhecido. Mas saudade pode ser coisa rápida. A gente mata em um ou dois chopps de domingo. E, como a vontade, ela também passa. Aí voltamos pra primeira etapa de estar meio perdido.
Quando não souber o que fazer, procure o que interessa. Bom mesmo é o que acalma a alma e acorda a mente. Um novo projeto, um novo par, um novo livro… Paixão latente! E tem coisas que nem adianta tentar explicar. Só sabe mesmo quem sente. Você concorda comigo? Não há nada melhor que se apaixonar.
E quando não souber o que fazer, deixe a paixão nascer. E viver, crescer, reproduzir. E deixe morrer também, porque ninguém é obrigado, nem é de ferro. Muito menos acorrentado. E, ah! Liberdade, meu bem. Quem não conhece não sabe o que está perdendo. Mas uma hora a gente enjoa também.
E quando não souber mais o que fazer? Simples… Embarque no primeiro trem.

Sobre ervas daninhas

Inspirada no texto da linda Debora Baldin (que estava inspirada no texto da linda Jessica Ipólito), me coloquei em uma reflexão um tanto valiosa para minha existência e toda essa ideia de busca pela felicidade, principalmente a pessoal. Desde criança, sou apoiada a realizar as atividades que desejei. Sempre acreditei que fui criada em uma família “moderninha”, de mulheres fortes e independentes, que aceita as diferenças, suporta o empoderamento feminino e convive em harmonia. Aos poucos, comecei a entender que machismo, homofobia, racismo, gordofobia e um monte de outras mazelas estão absolutamente enraizadas em nossa sociedade. E é difícil de se descolar desse tipo de cultura, até mesmo para quem tem consciência da existência dela, como acredito ser o meu caso.

Dos meus 13 anos em diante, sempre acreditei que minha beleza não se enquadrava no padrão. Ou pior, que não podia chamar de “beleza”. Sempre me preocupei com o que pensariam das minhas celulites e quilos a mais. Me envergonhei de algumas situações e sempre tive dificuldade na tal luta contra a balança. Ainda me pergunto o porquê disso tudo e tento passar por cima com a mesma força que encorajo minhas amigas a fazer. Desde muito cedo, tento passar a imagem de que não me importo com isso, para, quem sabe, convencer a mim mesma de que acredito no que defendo. Mas fui moldada a esta sociedade e continuo achando necessário se enquadrar ao estilo salada-academia-bronzeado. É um exercício diário de despadronização, para aceitar e aplicar tudo que eu sempre julguei certo. Ainda assim, me pego reproduzindo discursos e reforçando o uso de estereótipos o tempo inteiro.

Até quando esse tipo de cultura vai estar dentro de nós desta forma? Se é difícil para mim, que reflito sobre isso há anos e procuro referências com frequência sobre todos esses temas, imagina a dificuldade para as gerações dos meus avós, pais e tios, por exemplo, que não fazem ideia do mal que propagam. Nunca se preocuparam ao denegrir a imagem da empregada doméstica, se colocam contra o aborto sem justificativa lógica e desligam a TV por conta de um beijo gay. Tudo sem culpa.

A luta de todas as minorias não é coisa fácil. Não são batalhas de opiniões. São batalhas de direitos. E, muitas vezes, são batalhas contra nós mesmos e tudo que somos induzidos a pensar e fazer e assistir e reproduzir ao longo de uma vida.

Bem, o que posso pedir aos mais esclarecidos é que disseminem a leitura, o hábito da informação e o amor ao próximo de forma genuína. Saiam da zona de conforto e leiam sobre o que parece contrário também. Quem sabe, assim, as próximas gerações tenham estímulos mais adequados e menos preconceituosos. Mas, enquanto isso, que a luta continue.

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