Dia desses, minha prima pediu minha opinião sobre alguns candidatos à prefeitura do Rio. Ela está indecisa quanto ao voto e queria ouvir a opinião de pessoas com as quais ela se identifica. Respeitável, não? E ela me fez pensar sobre eleições, sobre os candidatos e, principalmente, sobre estratégia.

Para quem pensa minimamente como esquerda hoje, o cenário das eleições do Rio parece um show de horrores. Vemos Jandira sem voz nos debates, vemos Molon sendo aplaudido somente pela sua aparência e queremos acreditar que Freixo não está dando murro em ponta de faca. Mas não estou aqui para falar das minhas ideologias e, sim, de estratégia. Em 2016, os votos não serão somente para quem nos identificamos ou acreditamos. Precisamos pensar em quem não queremos lá.

Essa tal estratégia é até contrária ao que defendo em primeiro turno de eleições, mas a situação é crítica e pede um pouco de reflexão. Costumo acreditar na ideia de que o primeiro turno é o momento para votarmos em quem acreditamos, independentemente das pesquisas e dos candidatos concorrentes. Precisamos acreditar na nossa liberdade eleitoral e exercê-la, acredito. Procuro pelas melhores propostas e sempre voto com orgulho no primeiro turno, ainda que seja em um candidato com pouca aderência, de partido pequeno ou nenhuma chance de ganhar. Como cidadã, me dou esse direito e me sinto ótima com essa decisão. Mas, dessa vez, fazer isso é um tiro no pé. E o mesmo vale para anulação de voto.

O cálculo é simples, vamos lá. Se apenas os dois mais votados vão para segundo turno, o ideal é que ao menos um deles nos represente. Se as pesquisas apontam os dois mais votados como duas pessoas que absolutamente não queremos no poder, devemos focar em uma terceira via, em alguém que possa fazer com que, ao menos, tenhamos escolha para o segundo turno das eleições. Mas se eu me identifico com um candidato com 2 ou 3% dos votos, exercer a minha tal “liberdade eleitoral” é fechar os olhos para as eleições e ser conivente com um segundo turno indesejado. E agora, como fica? Estrategicamente pensando, precisamos fazer uma pirâmide eleitoral e colocar os candidatos em ordem de preferência. O candidato “votável”, na sua concepção, com maiores chances de alcançar esse segundo turno é para quem vai o voto. Isso não significa, necessariamente, que você confia e acredita em todas as medidas deles, mas pense em alguém que você prefira aos candidatos indesejados que estão à frente nas pesquisas.

Traduzindo para o cenário das eleições cariocas, é simples.

Se Crivella e Pedro Paulo não te representam, a terceira via deve ser concentrada em quem parece ter mais votos depois deles.
Se Crivella e Pedro Paulo não te representam, ainda existe uma saída.
Se Crivella e Pedro Paulo não te representam, o único caminho é votar em Freixo, ainda que o desejo seja de votar em Jandira, em Molon, em Índio ou quem seja.

Vocês enxergam outra saída?

Bem, pessoalmente, tenho motivos de sobra para votar #Freixo50, mas, entendam, as eleições neste ano não têm muito a ver com nossas ideologias nem identificações. A única forma de tentar mudar o Rio é pensando de forma estratégica.

E, claro, sem esquecer que Pedro Paulo bate em mulher.

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