Inspirada no texto da linda Debora Baldin (que estava inspirada no texto da linda Jessica Ipólito), me coloquei em uma reflexão um tanto valiosa para minha existência e toda essa ideia de busca pela felicidade, principalmente a pessoal. Desde criança, sou apoiada a realizar as atividades que desejei. Sempre acreditei que fui criada em uma família “moderninha”, de mulheres fortes e independentes, que aceita as diferenças, suporta o empoderamento feminino e convive em harmonia. Aos poucos, comecei a entender que machismo, homofobia, racismo, gordofobia e um monte de outras mazelas estão absolutamente enraizadas em nossa sociedade. E é difícil de se descolar desse tipo de cultura, até mesmo para quem tem consciência da existência dela, como acredito ser o meu caso.

Dos meus 13 anos em diante, sempre acreditei que minha beleza não se enquadrava no padrão. Ou pior, que não podia chamar de “beleza”. Sempre me preocupei com o que pensariam das minhas celulites e quilos a mais. Me envergonhei de algumas situações e sempre tive dificuldade na tal luta contra a balança. Ainda me pergunto o porquê disso tudo e tento passar por cima com a mesma força que encorajo minhas amigas a fazer. Desde muito cedo, tento passar a imagem de que não me importo com isso, para, quem sabe, convencer a mim mesma de que acredito no que defendo. Mas fui moldada a esta sociedade e continuo achando necessário se enquadrar ao estilo salada-academia-bronzeado. É um exercício diário de despadronização, para aceitar e aplicar tudo que eu sempre julguei certo. Ainda assim, me pego reproduzindo discursos e reforçando o uso de estereótipos o tempo inteiro.

Até quando esse tipo de cultura vai estar dentro de nós desta forma? Se é difícil para mim, que reflito sobre isso há anos e procuro referências com frequência sobre todos esses temas, imagina a dificuldade para as gerações dos meus avós, pais e tios, por exemplo, que não fazem ideia do mal que propagam. Nunca se preocuparam ao denegrir a imagem da empregada doméstica, se colocam contra o aborto sem justificativa lógica e desligam a TV por conta de um beijo gay. Tudo sem culpa.

A luta de todas as minorias não é coisa fácil. Não são batalhas de opiniões. São batalhas de direitos. E, muitas vezes, são batalhas contra nós mesmos e tudo que somos induzidos a pensar e fazer e assistir e reproduzir ao longo de uma vida.

Bem, o que posso pedir aos mais esclarecidos é que disseminem a leitura, o hábito da informação e o amor ao próximo de forma genuína. Saiam da zona de conforto e leiam sobre o que parece contrário também. Quem sabe, assim, as próximas gerações tenham estímulos mais adequados e menos preconceituosos. Mas, enquanto isso, que a luta continue.

Anúncios