Texto publicado originalmente no livro 2013: Memórias De Um Ano Que Nunca Existiu. O material completo está disponível aqui.

Favela, que bela, orgulho e lazer. Morador da Rocinha que sobe ruela sempre tem o que fazer. Ainda mais desse jeito: preto, pobre, com seis filhos pra criar. Fala sério, prefeito, cadê tua galera pra vir me ajudar? Sou o nono filho de doze. Quando eu vim ao mundo, já não tinha o que jantar. Trabalho pra isso, pra fazer meus filho estudá, preles ter du que comê. E o que é isso de polícia? Chegou a tal da UPP? Agora as coisas vão melhorar. Calma, parceiro, tá me prendendo à luz do dia? Bora pra viatura, pedreiro, a gente conversa na delegacia. Com essa tua cara de bandido, vai ficar na pior. Mas não tô nem aí, preto tem que ir é pro xilindró. Para com isso, amigo, sou trabalhador. Não precisa me levar, eu não sou metido com bandido. Isso a gente vai ver. E para de reclamar! Minha mãe era empregada, meu pai era pescador, por que eu ia mentir pra tu? Fica quieto, rapá, cê só tá indo depôr. Depôr o quê? Sei nem o que é essa parada. E essa ação de vocês? Não chamava Paz Armada? Isso é piada! Senta aí e espera, fica junto dessa cambada. Aqui só tem corrupto, mas ninguém quer expôr. Ih! Lá vem estupidez. Bora, Amarildo, vai depôr. Tu é o próximo da vez.

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