Sinto falta da vida. Sinto falta do suor, do chopp trincando, de chamar de amiga. Sinto falta do sorriso fácil, da carência, da andança. Sinto falta da falta da cobrança. Sinto falta de sentir falta, de quando choro, de quando sorrio. Sinto falta da água gelada, do passo apertado, sinto falta do Rio. Sinto falta do calor, de quando não sentia nada, de quando saía em noites quentes, voltava anestesiada… De amor. Sinto falta de estar cercada, de humanidade, de não dizer. Sinto falta de fazer, de acontecer e de simplesmente nunca ser. Sinto falta de estar perto, de andar junto, de fazer certo. Sinto falta de abraços molhados, de beijos colados, de peito aberto. No final, nem sinto nada, nem lembro muito, nem sei ao certo. Sinto falta de ser rico de mim, da liberdade, do caminho incerto.

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