Eu era melhor com você, todo mundo sabe disso. Eu queria sair toda sexta e insistia pra você ir também. Eu odiava quando você não ia. Eu jogava tênis e você sacava com a mão esquerda só pro jogo ter graça. Nas noites de verão, a gente ia pra piscina depois do jantar e voltava pra casa descalço porque a havaiana grudava no pé. Eu era melhor com você, eu sabia o que era diversão. Voltava bêbada e você sempre estava acordado. Você ligava o ar condicionado pra deixar tudo fresquinho. E eu queria saber quais eram os torneios da noite. Quando eles viajavam, a gente combinava de ficar em casa, só pra receber a galera e acabar com a comida. Quando a gente viajava, queríamos acabar era com a bebida. Eu era melhor com você. Eu tinha o maior orgulho de andar contigo na rua. Eu falava que odiava só pra você se achar. Mas achava o máximo andar com o cara que todo mundo adorava. Achava melhor ainda quando você me apresentava sem nem dizer meu nome, só falava: “é minha irmã”, assim, bem insignificante. Mas eu não ligava, não. Eu era melhor com você e talvez eu nunca seja assim de novo. Agora eu me preocupo pra não beber demais, se o sapato vai doer o pé e se vai fazer frio mais tarde. Eu planejo as viagens sem guardar o dinheiro da cerveja. Eu não tenho mais mandinga pra quando tem jogo do Flu. Não consigo mais ser inconsequente, nem trollar pessoas na rua, nem gritar quando um carro passa perto. Eu não tenho mais quem me dê esporro pra não ser assim, então eu mesma tenho que ser. Eu era melhor com você. E o que me conforta nisso tudo é saber que, mesmo assim, o que importa é que você está melhor agora.

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