Texto publicado originalmente no livro 2013: Memórias De Um Ano Que Nunca Existiu. O material completo está disponível aqui.

Maria trabalha, Maria se esforça, Maria batalha. Todo dia, sem parar, sem rumo e sem hora. E lá está a dona Maria a botar a mão na massa. A mesma mão que amassa o pão é a mão que trança a palha. E se a dona Maria não quiser mais fazer isso? Está cansada de salário baixo, cansada de tanto serviço. E imaginem quantas Marias estão por aí, esperando a sua vez, esperando a sua sorte, esperando um simples grito de “independência ou morte”. Dona Maria é a imagem de tanta gente: de um povo que sente frio, fome, que tem filho que fica doente. E cadê a presidente? Pagando de

senhorita, desfilando na parada, achando que está na balada, ao som da música da Anitta. De janeiro a dezembro, o povo vive em abstinência.

– Queremos menos corruptos! Queremos independência.

Já que é sete de setembro, vamos mostrar a que viemos, vamos Brasil a fora. Junta polícia, criança, riquinho, senhora. O país inteiro se envolve. Uns vão com gás lacrimogêneo e outros, com coquetel molotov. Sabemos muito bem que maioria não quer violência, mas também pagam pelos bandidos aqueles que têm decência. Nessa luta por liberdade, cada um escolhe o que faz. Mas a vontade do brasileiro é que o governo descanse em paz.

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