Texto de 07/12/2012

De bigode e camisa meio-aberta, Fiqueira era presença certa. Claro, o bar era dele. É o dono quem deixa a porta aberta. Ele não era só o dono do lugar, mas o bar era sua família. Na verdade, virou. Dona Emília o deixou depois de muito tentar. Mas resolveu seguir para Brasília, sua verdadeira casa, a ficar casada com ele, que tinha paixão pelo tal bar. O boteco de esquina foi herança de um tio. Tio Osmar. Que já estava velho e deixou Figueira se apossar. E depois se apaixonar. “Mas prometa para mim, que vai abrir para o cafezinho da Dona Lia”. Prometeu e não cumpriu. Bar do Figueira só abre meio dia. A ressaca do outro dia tem que se curar. E pra isso, só um banho de água fria para recomeçar a bebedeira. Ah, Figueira, como pode beber e ainda trabalhar? Figueira bebe, verdade. Mas quem cuida do bar é o Tião. Uma boa relação de amizade resolve. Mas devolve a dignidade pro Figueira, porque é tanta bebedeira, que tá faltando Engov. Tião convenceu o amigo do perigo que a bebida traz. Sentou do seu lado, bateu no seu ombro e pediu, não por Deus, mas pelo bar, pelo amor. Ele compreendeu. “Vamos comemorar?” Desce uma dose pro Figueira, por favor… De água.

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