Já perdi relógios, documentos, peso e até meu irmão. Mas acho que, hoje, perdi um amigo. Você vai dizer “grande novidade. As pessoas perdem amigos durante a vida inteira”. Tudo bem, pode até ser, mas talvez não com a facilidade que perdi um hoje. Sabe aquela diferença entre entrar numa piscina gelada pela escadinha ou pulando de uma vez só? Eu pulei na água. E nem botei o pé antes para ver se estava fria. Pela primeira vez na vida, me deparei com a sensação de poder nunca mais falar com alguém. Normalmente a gente não sabe qual vai ser a última vez. O tempo leva pessoas, lembranças e momentos pra longe de forma que a gente nem nota. Não hoje. Hoje o tempo passou na velocidade da luz. E eu brinquei de equilibrista na minha própria consciência. Fiquei na corda. Fui domador do meu humor-leão e deixei ele pianinho. No final, voltei a ser o de sempre. Entrei no picadeiro de palhaço e tentei disfarçar o que realmente escondo por trás da fantasia. Disfarcei a saudade, engoli o choro e remei. Às vezes acho que os tempos idos nem se lembram mais de mim. E acho que vai ser assim com mais esse amigo. Daqui 10 anos, talvez ele nem se lembre mais. Tomara que eu esteja errada.

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