Para Rodrigo Bandeira Nunes, meu irmão.
Faz três anos que você não está mais aqui do lado, então achei conveniente te atualizar de alguns acontecimentos. Bom, como você já sabia, eu me mudei para Brasília. Aqui, tirei carteira de motorista, fiz amigos e aprendi a dormir no silêncio (sem TV nem ar condicionado, pasme!). Ivan e eu terminamos a faculdade. Ele agora é repórter de rádio e acho que aquelas noites que vocês passavam narrando jogos pra “TV Channel” ajudaram muito. Eu passei por estágios e empregos até chegar no que estou hoje. Você ia gostar de conhecer meus amigos do trabalho, e vários deles conhecem você, é claro. A Copa do Mundo aconteceu, cara, e foi uma loucura. O evento foi irado (ou “massa”, como falamos aqui em Brasília), mas tomara que você não tenha visto a atuação do Brasil. Foi difícil defender o Fred pelo futebol que ele jogou, mas ainda é ídolo do Fluzão. Por sinal, em 2012, o Flu foi campeão de novo, e antecipado! Foi bem menos sofrido que 2010, mas não fui pro Rio ver. Sobre o Brasileirão de 2013, nem preciso falar, você deve ter sofrido de onde estivesse. Ah! Mamãe e papai vieram morar aqui também. Compraram uma casa irada e deixaram um quarto lá pra gente. Nesses três anos, nunca mais joguei pôquer com os meninos. A pelada do Flu também parou de existir e nem sei como tá agora. E há muito tempo não jogamos tênis… Tenho que trocar a corda da minha raquete e não sei qual colocar, vou ter que descobrir sozinha. Tive que passar a ler mais sobre os esportes porque você não tá aqui pra responder minhas perguntas. E confesso que não acompanhei os últimos Grand Slams, foi mal. Moleque, as coisas estão evoluindo muito rápido. A tecnologia tá incrível! A mamãe tá viciada no iPad e o papai compartilha 650 posts no Facebook por dia. Todos nós fizemos tatuagens para você (o João, o Felipe e a Lu também). Eu fiz duas e já tô pensando na terceira, mas se você tivesse aqui, jamais te daria essa moral. Parece que foi ontem mas já se foram três anos inteiros. Engordei, ganhei um carro, tô fazendo pós-graduação e quase não bebo mais. Ainda guardo algumas coisas suas e conto pra todo mundo que você calçava 49. E quando me perguntam se sou filha única, digo que atualmente sim, mas é só uma fase. Bom, aproveitei a data pra te atualizar de algumas coisas, mesmo achando que você já deve saber de tudo. É que todo 6 de novembro tem sido sofrido, mas eu não gasto muito tempo chorando de saudade porque sei que você não liga pra essas coisas.

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