Vivo a vida em aromas. Cheiros bons, ruins e até os perfumes que uso. Decido meu perfume de manhã pelas lembranças que tenho de cada um. E só compro novos quando farejo novas aventuras.
Posso não lembrar da roupa que vesti na primeira entrevista de emprego, mas toda vez que sinto o Polo Sport meu estômago embrulha do mesmo jeito. Baldesarini me lembra tudo que é novo, uma sensação gostosa que mistura mudança e medo. Era ele que eu usava quando embarquei de vez para Brasília numa tarde de verão. Por sinal, o verão carioca só tem cheiro de Sundown. E pronto! A praia da Urca e a do Flamengo não cheiram do mesmo jeito por motivos muito simples: a da Urca tem cheiro de infância, pedra portuguesa e joelho ralado. Quando tenho saudade da Fê, saio de Kenzo. As roupas que guardo do Digo têm o cheiro dele até hoje, não importa quantas vezes eu lave. E a terra molhada… Ah, a terra molhada! Essa, sim, tem cheiro de tarde em Teresópolis, cheiro de chuva de verão (e não ao contrário), cheiro de jogo de tabuleiro, porque a luz acabou.
Alguns aromas me remetem a memórias de forma instantânea. Mas e quando os perfumes terminam? Aí faço questão de comprar os mesmos, de novo. Só pra não perder as lembranças que guardei em cada frasco.

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