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De noite, sorridente. Pela manhã, mal-humorada. Eu vivo em Brasília, mas juro que não sei de nada. Sou publicitária, feminista, carioca das Laranjeiras. Seja bem-vindx e muito prazer. Me chamo Camila Bandeira.

Bora frear um trem bala?

Imagine um trem gigante… Dando voltas e voltas e voltas, sem parar em nenhuma estação. Atividade, rapidez, não tem tempo pra “piuí”. Todo mundo já nasce dentro dele. E quem quiser descer, que se vire. Tem que pular, se machucar, dar seu jeito. Nas tentativas, vários se jogam nos trilhos e aí… Já era. O machismo é isso aí: um verdadeiro trem bala. E pra gente parar esse trem, é preciso muito mais gente fora do que dentro dele.

Em uma mesma semana, dois assuntos foram notícia. Talvez você tenha lido ao menos uma delas.

  1. Funcionária de grande empresa do Vale do Silício perdeu processo na justiça americana que acusava a empresa de discriminação por gênero.
  2. A jornalista Basília Rodrigues é assediada pelo deputado Wladimir Costa.

O primeiro caso escancarou um cenário pouco falado por aí. O lugar mais “cool” de se trabalhar em todo o mundo é legal apenas para homens. Lendo sobre o assunto, descobri que só cerca de 20% dos cargos altos de empresas localizadas no Silicon Valley são ocupados por mulheres.

E quantas – QUANTAS – brigas na justiça tratam desse caso.

É a co-fundadora do Tinder que não tem seu nome nos créditos; a moça do Twitter que processou a empresa por nunca conseguir alcançar as promoções mesmo com rendimento acima do esperado; o fundador do Snapchat, que embebedava meninas em seus tempos de faculdade. E, no meio disso tudo… Ainda tem o funcionário do Google que publicou um manifesto falando sobre por que as mulheres não sabem programar.

SIM, DOIS MIL E DEZESSETE ! ! !

O segundo fato chega a ser ainda mais preocupante para nós, brasileiras. Basília Rodrigues é uma competente jornalista da rádio CBN que sofreu assédio em plena entrevista ao deputado Wladimir Costa, do partido Solidariedade.

Pausa.
O deputado é o mesmo que virou notícia por tatuar o nome do Temer. E o partido foi da coligação do querido Aécio Neves nas eleições de 2014.
Fim da pausa.

Além de ter passado pelo comentário asqueroso do deputado – daqueles que a gente dá uma vomitadinha antes de voltar a raciocinar – ela foi alvo de uma publicação no Facebook oficial do mesmo parlamentar. E esse texto, eu nem recomendo que leiam, porque é de passar mal a semana inteira.

Particularmente, não sei como terminar este desabafo. Em geral, começo meus textos pelo final. Mas esse não tem fim, talvez nunca tenha.

Fico me perguntando como parar esse tal trem. Talvez já saibamos a resposta, só precisamos de mais gente pulando dele pra ajudar aqui nos trilhos. Vem que a gente te ajuda na fuga!

Sobre amores de outono

Dispensa dedicatórias.

Que atire o primeiro sundown quem nunca viveu um amor de verão. Desses amores desapegados, coisa de alguns dias, talvez horas. Beijos salgados, abraços suados e uma tarde quente olhando o mar, com cerveja gelada no final e um banho frio refrescante que, quando bate na pele bronzeada, parece que o mundo para de girar. Quem nunca se apaixonou em clima tropical? É bom, tem gostinho de férias… Igual aos amores de inverno.

Que atire o primeiro edredom quem nunca viveu um amor de inverno. De ficar juntinho, de comer fondue, de beber um vinho à beira da lareira. Desses amores grudados, cheios de carinhos e abraços, dormir de conchinha e acordar com uma caneca quente já na mão. Um amor de pantufas, confortável e reconfortante, com filminho no final da tarde e calor humano para aumentar a temperatura… Se aumentar demais vira primavera.

Que atire o primeiro buquê quem nunca viveu um amor de primavera. Desses floridos, coloridos, cheios de romance. Passear no parque de mãos dadas, tomar um sorvete no final, andar de bicicleta e aproveitar o dia. De noite, um drink ao som de jazz e conversa fora… Você se apaixona pelo arco-íris que se transforma aquele momento. Se melhorar, estraga… Se melhorar, vira amor de outono.

E esse, meu amigo, eu te digo… Que atire o primeiro chopp de vinho quem nunca viveu um amor de outono. Mas já saiba que está perdendo (tanto pelo amor quanto pelo chopp). Amores de outono são folhas secas… Já nascem com data de validade, com prazo para acabar. Você pode estar se perguntando “Que tipo de amor já nasce assim?” E eu te respondo: o melhor deles. O outono é a estação que poucos comemoram quando chega, mas ninguém odeia também. É preferência mundial em ser meio termo. Se procurar “conforto” no dicionário, o outono é sinônimo. E os amores de outono nunca passam despercebidos. Porque muito embora eles tenham vindo para acabar, acabam durando as quatro estações do ano. Deste e do que vem. E talvez do outro… Quem sabe?

Ei, você aí… É carnaval!

Quando sua melhor amiga te desafia a usar palavras bizarras em um texto e você resolve misturar o desafio ao tema preferido dela… Dá nisso.

Ô abre alas que o carnaval quer passar. As águas vão rolar mas tem suor à beça por aqui para lavar… A alma. Entrega ela também. Entrega tudo, se entrega, vira cacareco, até ter um piripaque e dormir. Mas só até amanhã. Fala sério, a festa do capiroto é sagrada pra quem é de sorrir, minha irmã.

“Que petulância! Fala assim do meu carnaval que te mando pro beleléu.”

E eu aposto meu chapéu que por lá também tem bloquinho. Ou você acha que por lá comem queijo e bebem vinho? Não tem essa não. A cada fevereiro, o Brasil todo cabe dentro do cordão. E aqui a bebida é 3 por 15 mesmo, se você pedir o latão. Só cuidado com revertério, porque o Céu na Terra sai cedo no sabadão. E quem se atrasa é mequetrefe, não sabe ser folião.

Esse mês tem muito mais pelo Rio do que só o mate e o limão. O que adoça o dia é o melzinho. Compra pra mim o metrão? Carnaval é suor, é amor, é cambalacho. Mas sai do meu lado, macho, que eu não te chamei aqui não. Vou te mandar pra conchinchina se começar a insistir. Alguém sabe onde tem banheiro? Rápido, preciso fazer xixi. E a PM tá na rua querendo encher o camburão. Faz parte também, né. A cidade não pode pagar pelos modos do cidadão.

Chega! Já tô no brilho, na alma e na pele. E como Aurora, vou ser sincera. Então me espera, por favor, que cinza nenhuma vai estragar minha quarta cheia de cor. Ressaca de Carnaval não existe, amor. Por aqui, sobra uma saudadezinha no além. E a missão de um banho daqueles para começar o ano bem. Em mim, ficam só as lembranças. Ah! E purpurina de sobra, né, até o ano que vem.

Tem gente demais saindo do armário 

Eu não sei vocês, mas se eu ganhasse cem reais para cada pessoa que deixei de seguir no Facebook nos últimos dois anos, estaria escrevendo esse texto em meu iPhone 7, diretamente de uma praia em Ibiza. Achava que a sociedade estava em uma curva de evolução, mas dos últimos anos pra cá me pergunto se essa curva não está mais para uma parábola, ou, quem sabe, uma circunferência? Vou tentar explicar com exemplos.

Enxergo minha humilde existência da seguinte forma: quando criança, ouvia piadas de “neguinhos”, “bichas” e “loiras”. Todos achavam engraçado, era senso comum nos lugares que eu frequentava. Pré-adolescente, comecei a reproduzir esse tipo de piada, o que pode até ser considerado natural, uma vez que somos mais facilmente influenciáveis quando jovens. Já adolescente, comecei a questionar alguns desses comentários e a reprovar outros. Adulta, reprovo a porra toda, brigo e se quiser discutir, já abro logo meus slides e começo o discurso. Bem, esse é um breve resumo sobre como cresci. Minha prima, geração Z, já nasceu sabendo um monte de coisas. Ela ainda deve ouvir piadinhas racistas, sexistas e homofóbicas por aí, principalmente porque as gerações que as criaram continuam à solta, mas ela sabe que não deve reproduzir, não vê graça e reprova desde cedo. E isso é lindo!

Há cinco anos atras, a Coca-Cola lançou a campanha “Os bons são maioria” e me encheu de esperança na geração Y. Que orgulho! Dois anos atrás, eu ouvi uma professora dizer que “o mundo está evoluindo muito, temos que acreditar”. E, neste ano, o Rio de Janeiro elege Crivella, os Estados Unidos votam por Trump e um pai assassina seu filho por participar de movimentos sociais e ocupação de escolas. As mulheres foram empoderadas, os negros lutam por igualdade racial, os LGBTs saíram do armário… e eu considerava – e ainda considero – tudo isso uma vitória para a humanidade. Mas pra boa parte da nós, parece que a mesma liberdade que permite que o progresso aconteça permite que saia do armário quem podia passar a vida escondidinho lá dentro. São os homofóbicos, os machistas, os racistas, xenófobos, reacionários, orgulhosos, conservadores e eleitores do Bolsonaro. Esses, que batem no peito em defesa da parada do orgulho hétero, do dia da consciência branca e que acreditam que as feministas querem viver em um mundo só de mulheres. Coitados.

Dia desses, cometi o erro de abrir a página do repugnante deputado para ver quais dos meus conhecidos acompanhavam suas publicações. Achei que, no máximo, encontraria alguns de meus amigos ativistas, que poderiam curtir a página só para observar as asneiras. Doce ilusão. Descobri que não sinto orgulho de todos os meus amigos. Inclusive, se soubesse que tipo de ideias eles defendem, talvez repensasse o começo da amizade. Radical demais? Caguei.

Muito que bem… voltemos à parábola. A impressão que tenho é que toda vez que chegamos no ponto chave de realmente começar a progredir, algum cálculo dá errado e começamos a andar em marcha ré. Tomara que seja só impressão minha. Mas a questão é que me espanta ver o quanto as pessoas se sentem “oprimidas” pelas minorias hoje em dia. E o quanto machuca quando a estrutura – patriarcal, heteronormativa, elitista, branca e rica – é balançada, nem que seja um centimetrozinho. E o pior de tudo! Essa galera jamais vai assumir o recalque. Porque desse armário aí, engraçado… eles perderam a chave.

Entre um líder religioso e um agressor machista, o Rio só tem uma saída

Dia desses, minha prima pediu minha opinião sobre alguns candidatos à prefeitura do Rio. Ela está indecisa quanto ao voto e queria ouvir a opinião de pessoas com as quais ela se identifica. Respeitável, não? E ela me fez pensar sobre eleições, sobre os candidatos e, principalmente, sobre estratégia.

Para quem pensa minimamente como esquerda hoje, o cenário das eleições do Rio parece um show de horrores. Vemos Jandira sem voz nos debates, vemos Molon sendo aplaudido somente pela sua aparência e queremos acreditar que Freixo não está dando murro em ponta de faca. Mas não estou aqui para falar das minhas ideologias e, sim, de estratégia. Em 2016, os votos não serão somente para quem nos identificamos ou acreditamos. Precisamos pensar em quem não queremos lá.

Essa tal estratégia é até contrária ao que defendo em primeiro turno de eleições, mas a situação é crítica e pede um pouco de reflexão. Costumo acreditar na ideia de que o primeiro turno é o momento para votarmos em quem acreditamos, independentemente das pesquisas e dos candidatos concorrentes. Precisamos acreditar na nossa liberdade eleitoral e exercê-la, acredito. Procuro pelas melhores propostas e sempre voto com orgulho no primeiro turno, ainda que seja em um candidato com pouca aderência, de partido pequeno ou nenhuma chance de ganhar. Como cidadã, me dou esse direito e me sinto ótima com essa decisão. Mas, dessa vez, fazer isso é um tiro no pé. E o mesmo vale para anulação de voto.

O cálculo é simples, vamos lá. Se apenas os dois mais votados vão para segundo turno, o ideal é que ao menos um deles nos represente. Se as pesquisas apontam os dois mais votados como duas pessoas que absolutamente não queremos no poder, devemos focar em uma terceira via, em alguém que possa fazer com que, ao menos, tenhamos escolha para o segundo turno das eleições. Mas se eu me identifico com um candidato com 2 ou 3% dos votos, exercer a minha tal “liberdade eleitoral” é fechar os olhos para as eleições e ser conivente com um segundo turno indesejado. E agora, como fica? Estrategicamente pensando, precisamos fazer uma pirâmide eleitoral e colocar os candidatos em ordem de preferência. O candidato “votável”, na sua concepção, com maiores chances de alcançar esse segundo turno é para quem vai o voto. Isso não significa, necessariamente, que você confia e acredita em todas as medidas deles, mas pense em alguém que você prefira aos candidatos indesejados que estão à frente nas pesquisas.

Traduzindo para o cenário das eleições cariocas, é simples.

Se Crivella e Pedro Paulo não te representam, a terceira via deve ser concentrada em quem parece ter mais votos depois deles.
Se Crivella e Pedro Paulo não te representam, ainda existe uma saída.
Se Crivella e Pedro Paulo não te representam, o único caminho é votar em Freixo, ainda que o desejo seja de votar em Jandira, em Molon, em Índio ou quem seja.

Vocês enxergam outra saída?

Bem, pessoalmente, tenho motivos de sobra para votar #Freixo50, mas, entendam, as eleições neste ano não têm muito a ver com nossas ideologias nem identificações. A única forma de tentar mudar o Rio é pensando de forma estratégica.

E, claro, sem esquecer que Pedro Paulo bate em mulher.

Imagine uma guerra de conhecimento

Texto original, de julho de 2016, no site Obvious.

Esses dias li uma matéria que um artista argentino transformou seu carro em um tanque de guerra, só que de livros. Agora, imagine você uma guerra de conhecimento, onde vence quem for atacado mais vezes.

Imagine uma guerra de soldados da ciência, coronéis das letras, armas de destruição/construção em massa… Um exército inteiro pronto para atacar. Para se alistar, os músculos são dispensáveis. A altura não importa, nem tampouco o tamanho do seu coturno. Mas é preciso estar armado. Uma bibliografia inteira deve estar no gatilho.

Um ataca com Clarisse, outro devolve com Camões. Pode vir um tanque de Dostoiévski, que te devolvo com Virginia Woolf. Ah! E Shakespeare vale dois! Deixe esse para os atiradores de elite.

Até a menor mina colocada no chão, de um gibi infantil, explode em palavras pelo ar para fazer estragos dos mais bonitos. E aquelas pequenas balas, de notas de rodapé, quando certeiras, fazem toda a diferença.

Quando for livro raro, damos uma trégua. Me explica direitinho para ver se eu entendi? Não podemos desperdiçar munição, né.

Seria a guerra perfeita, trocando tiros de amor e bombas de conhecimento. Tudo isso, em busca do que temos de mais raro: sabedoria. Mas mesmo que a gente nunca conquiste todos os territórios desejados, espalharíamos informação de qualidade por aí, abastecendo o estoque para que todos consigam pensar sozinhos. Que mal isso faz?

E para começar, um monte de soldados na trincheira, à postos para a mais incrível experiência de suas vidas. Bandeira branca não existe por aqui. Quem for esperto, que atire o primeiro livro.

…Bum!

Freeda

Sofri
Sô free
Sou free
Sou Frida

Tá… Sou calo.

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Triiim!

Despertador
Desperta a dor
De perto a dor
De acordar cedo

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Sorrio

Sorrio
Sô rio
Só rio
Sou Rio

Vem me aMar?

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